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domingo, 29 de março de 2009

Formas de acção....

A ausência implica, normalmente ausência. Não tenho tido grande disponibilidade para escrever por estas bandas, ainda que a realidade seja profícua em mil e um temas para por aqui dissertar, mostrando a minha opinião. Entrar no mundo das responsabilidades acaba por acarretar toda essa falta de tempo, contudo isto assusta-me... o tempo é como um processo alienante, há que saber gerir bem, para rapidamente não terminar como aqueles, que tantas vezes critico pela sua (in)acção. 
Penso que ainda não caí nesse extremo, contudo escrever nestas bandas é uma das minhas formas de participação cívica. Só expressando a minha opinião incorro na possibilidade de ouvir outras diferentes, ou melhor ainda, de encontrar quem partilhe comigo, esta visão do mundo.
Mas, o que me motivou a vir escrever ao blog está, de certa forma, relacionado com isto. A participação cívica em movimentos, nos quais acreditamos. 
Pela faculdade, tenho-me reunido com um grupo algo numeroso de alunos, que partilham comigo as mesmas preocupações com o rumo do ensino em Portugal. A passagem das Universidades e Fundações Privadas de Direito Público, os sucessivos cortes orçamentais, o facto de conhecer colegas que passam necessidades para continuarem a estudar, fazem-e questionar, aquilo que deveria ser um direito maior: a educação. Sem ela não adianta pensar-se que muitos andam por aqui para não ir trabalhar, não podemos inovar, pensar e questionar o sistema... Por ela há, assim, que lutar.
Acredito piamente nisto. Agora, tal como o nome indica, lutar custa! Custa por causa do cinismo com que as pessoas vêem quem manifesta a sua opinião, custa porque exige tempo e organização, custa porque primeiro há que provar que somos muitos, para depois ter apoio.... assim é difcil. O segredo é não desistir.
Na semana passada, cerca de cento e poucos alunos manifestaram-se à porta da faculdade contra estas questões, contudo a grande nota que tivemos na imprensa (apesar de convocada) foram duas linhas no site da TVI24. Os privados lá entendo que não tenham interesse, mas agora o serviço público deixou muito a desejar... mas isso era outro post... porque alunos insatisfeitos nem dão grande audiência, como também não interessa muito que tenham grande eco.
Frustrações minhas!
Agora, dia 1 de Abril as acções de protesto continuam, porque quem acredita numa causa é presistente... em frente à reitoria da UP, poucos, mas vamos demonstrar que a mentira do dia é Acção Social no Ensino Superior. 
A poucos deve interessar este post sem pés nem cabeça, mas aqui fica, mais uma vez, o meu compartilhar das causas em que acredito e o retomar de uma coisa que prezo bastante, que é escrever neste espaço.
Troppo Vino Altera i Sensi - e às vezes somente com uns copos a mais é que podemos acreditar que vale a pena lutar contra este sistema, onde se dá prioridade ao económico, esquecendo-se que ele se alimenta de muitas vidas... que tristemente se tornam apáticas.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Democracia...

Estava a responder ao comment do post anterior e voltou-me à mente uma expressão, que um professor italiano nos ensinou, numa aula de Media Education... ela faz imenso sentido para mim...e por isso decidi partilhá-la neste post:

Não há democracia sem participação... não há cidadania sem formação... não há formação sem informação, cultura e consciência crítica...

No contexto em que aprendi esste pensamento servia para realçar a importância da constituição de uma consciência critica face às mensagens mediáticas... mas penso que se aplica bem também à estreita relação entre democracia e educação, num sentido mais lato.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A febre dos números!

Ao entrar no site do público, encontrei esta notícia fantástica:

Professores estão a ser pressionados para não dar negativas

Muitas escolas vão ser visitadas por inspectores até final de Dezembro, no âmbito do seu processo de avaliação e, como um dos critérios que terá maior peso para a “nota” é o índice de aproveitamento escolar dos alunos, os conselhos executivos têm centrado as suas recomendações no sentido de que os professores evitem ao máximo dar negativas, explica ainda o jornal.

Não gosto muito dos discursos pós-modernos e de reflexividade da sociedade pós-moderna...tantos pós- qualuqer coisa para mim significam apenas que as pessoas exigem da informação e dos orgãos de poder a justificação das suas acções. Não sei se será por isso que os nossos telejornais acabaram cheios de pseudo intelectuais capazes de dar uma explicação rápida e simples para todo e qualquer fenómeno, por mais complexo que este seja... a outra face destes pós todos é também a acção politica, principalmente ao nivel mediático, orgãos de comunicação social e assembleia da républica, justificar as suas acções em estudos 'científicos' e estatísticas... a mim só me resta perguntar o que serão as nossas gerações futuras num país em que apenas o aparente e a fast information (para recuperar um pouco Bourdieu) vale?
O que me faz amar o meu curso, sociologia, é o facto de procurar compreender pessoas, não como meros números, mas como seres complexos e que têm aspirações e representações sobre o mundo que as rodeia!
Com o rumo que isto leva, a questão é exactamente se esta conversão em meros números, não alienam de tal maneira as futuras gerações, ao ponto de se tornarem seres facilmente manipulaveis face à crescente importância dos media e das suas mensagens ideológicas! Sim, porque a formação parece já não ser uma prioridade, começa no básico e termina com bolonhas e coisas parecidas no superior!
É melhor ficar por aqui, que a minha veia sociológica já se estendeu demais!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Ate e inteligente!


Os manuais escolares vão deixar de ter espaços para exercícios. A medida vai arrancar em 2008/2009 e vai permitir que o mesmo livro seja usado de um ano para o outro.
De acordo com o secretário de Estado, Jorge Pedreira, «vai deixar de ser permitido, com exclusão do primeiro e do segundo ano de escolaridade e das línguas estrangeiras, que os manuais escolares tenham espaço para escrever». (...)
A alteração vai ser gradual porque existem mudanças curriculares em marcha em algumas disciplinas e em alguns graus de ensino.
In: http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=848216