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domingo, 16 de novembro de 2008

Desconfiança

Já faz tanto tempo desde que escrevi o último post. Pensando bem, não foram as mil e uma coisas que tenho estado a fazer que me retiraram tempo de escrita, mas sim a atenção ao mundo de cá de fora da sociologia que tem sido menor.
Quando dou por mim, leio no jornal as críticas à ministra da educação, os protestos contra A e contra B... mais uma vez, vai passando o tempo e nada parece mudar.
Mas, às vezes é preciso ter uma experiência qualquer, para nos chamar a atenção que o mundo real existe e que deixar de escrever aqui é pôr de lado uma das coisas que mais gosto de fazer.
Hoje fui aplicar inquéritos para um bairro... claro que ganhei experiência e algum dinheiro, mas venho profundamente triste com o sucesso desta incurssão pelo terreno. Consegui um número reduzido de respostas e um sem fim de recusas mais ou menos educadas. As pessoas, se por um lado estão fartas de ser incomodadas com promessas futuras de requalificação, por outro são extremamente desconfiadas face a qualquer questão que sintam que põem a sua privacidade em perigo. Não sei, compreendo-as por um lado, mas se calhar por ter estado do lado de cá de quem faz as perguntas venho triste.
Nas sociedades actuais o «outro» é cada vez mais aquele a evitar porque é diferente de nós. Mas se ao mesmo tempo somos cada vez mais individualistas na gestão do tempo e das relações sociais. Nunca estivémos perante sociedades tão plurais e diversificadas quanto as que vivemos hoje... há qualquer coisa de triste... é que não damos oportunidade de abrir os nossos horizontes com a cada vez maior diversidade que nos bate à porta todos os dias. Hoje digo isto por causa dos inquéritos, mas estou no fundo a pensar nas comunidades imigrantes.
Ser cosmopolita não é só quando visitamos um país estrangeiro, passa muito por aceitar e aproveitar o que de diverso existe no mundo social e a que tantas vezes fechamos as portas.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A febre dos números!

Ao entrar no site do público, encontrei esta notícia fantástica:

Professores estão a ser pressionados para não dar negativas

Muitas escolas vão ser visitadas por inspectores até final de Dezembro, no âmbito do seu processo de avaliação e, como um dos critérios que terá maior peso para a “nota” é o índice de aproveitamento escolar dos alunos, os conselhos executivos têm centrado as suas recomendações no sentido de que os professores evitem ao máximo dar negativas, explica ainda o jornal.

Não gosto muito dos discursos pós-modernos e de reflexividade da sociedade pós-moderna...tantos pós- qualuqer coisa para mim significam apenas que as pessoas exigem da informação e dos orgãos de poder a justificação das suas acções. Não sei se será por isso que os nossos telejornais acabaram cheios de pseudo intelectuais capazes de dar uma explicação rápida e simples para todo e qualquer fenómeno, por mais complexo que este seja... a outra face destes pós todos é também a acção politica, principalmente ao nivel mediático, orgãos de comunicação social e assembleia da républica, justificar as suas acções em estudos 'científicos' e estatísticas... a mim só me resta perguntar o que serão as nossas gerações futuras num país em que apenas o aparente e a fast information (para recuperar um pouco Bourdieu) vale?
O que me faz amar o meu curso, sociologia, é o facto de procurar compreender pessoas, não como meros números, mas como seres complexos e que têm aspirações e representações sobre o mundo que as rodeia!
Com o rumo que isto leva, a questão é exactamente se esta conversão em meros números, não alienam de tal maneira as futuras gerações, ao ponto de se tornarem seres facilmente manipulaveis face à crescente importância dos media e das suas mensagens ideológicas! Sim, porque a formação parece já não ser uma prioridade, começa no básico e termina com bolonhas e coisas parecidas no superior!
É melhor ficar por aqui, que a minha veia sociológica já se estendeu demais!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Consumista....

Definitivamente estou a tornar-me uma consumista de primeira...
O meu novo target mental de consumo é uma PSP.... com a desculpa que vou viver sózinha noutro país, com a necessidade de ocupar o tempo livre...etc, etc...
Consumir até nem tem nada de mal... a carteira fica mais levezita e coisa e tal...
O problema é que começo a lembrar-me das aulas de correntes actuais da sociologia I e dos autores da escola critica de Frankfurt:
Eu sei... de que raio de coisa é que me vou lembrar!
Mas, segundo Marcuse e Habermas, a sociedade de consumo faz com que os individuos fiquem entretidos, com estes targets de consumo que estipulamos, e não contestemos o sistema capitalista e o sistema vigente cada vez mais atomizador do individuo... e lembrar-me destas coisa às vezes dá que pensar!
Chego assim a uma conclusão, que apesar de concordar com os autores, acaba por ser muito mais cómodo estar inserido na lógica de funcionamento do sistema, que constestá-lo!