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domingo, 20 de julho de 2008

Aleixo

Nos últimos dias temos ouvido falar muito da requalificação do Bairro do Aleixo, no Porto... apetecia-me fazer um post do tamanho dessas noticias a lembrar os erros económicos por detrás desse projecto... as consequências nefastas que terá sobre quem vive nestes bairros, mas penso que nem é preciso gastar mais latim isso!
Apenas dizer que isto tudo me dá uma sensação de dejavu: se com o bairro São João de Deus ficava muito mal, a droga estar à vista da nova zona rica da cidade, nas redondezas do dragão; com o Aleixo era só uma questão de tempo, afinal tem uma das melhores vistas sobre o Rio Douro!
O melhor de tudo é dizerem que vão solucionar o problema da droga e miséria, que fustiga esse bairro. Não sabia que casa nova, em bairros velhos e, também eles problemáticos, era solução par algo!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mudam-se os tempos!

No meio desta polémica toda da aluna com o telemóvel, tenho tentado não dar a minha opinião, porque o tema já é por si só suficientemente badalado para se perder mais tempo com ele...
Mas hoje quando ouvi que a professora não ia voltar a dar aulas... fiquei muito triste! Porque a mulher pode não ter agido da melhor forma, que deu asas a que aquilo tudo acontecesse, ok.... também ouvi que estava a não sei quantos anos sem dar aulas e que por isso não estava adaptada aos novos tempos!
Mas penso sinceramente, que há uma coisa que é intemporal, que é a educação! E, se errar é humano, a falta de respeito não pode de forma alguma passar em branco! A miúda aprendeu isso e mudou de escola! Mas o mais importante de toda esta questão é o facto de que os adolescentes não podem ser desculpados, porque são novos e vêm de zonas problemáticas, porque as suas atitudes têm consequências graves... neste caso a senhora, se aos 60 anos dava aulas, é porque ainda se sentia capaz e gostava de ensinar, não o voltará a fazer! Sim, porque ser professor em Portugal, é realmente um acto de paixão!
Fiquei triste, com isto e com o mau nome da escola! Como diz uma amiga minha, sempre que o metro pára na estação do Carolina Michaëlis, pensa que parou por alguns segundos no Iraque!
Como antiga aluna daquela escola custa-me muito ouvir isto! É certo que andei lá quando era uma das melhores do ranking, tinha já os seus problemas, mas quem de lá saía tinha orgulho de ter andado no Carolina!
Quando chegei ao superior dei muito valor a tudo o que aprendi lá, porque o ensino tinha muita qualidade!
O ábito faz o monge, os alunos dão o nome a uma Escola, e acredito que a maioria sente o mesmo orgulho que eu tinha por ser aluno do Carolina e gosta realmente de muitos dos professores que por lá estão!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

La Sapienza vs. Religião vs. Ratzinger

Como muitos dos que visitam este espaço mais regularmente sabem, estou a fazer erasmus em Roma, mais precisamente na Università degli Studi di Roma - La Sapienza. A tal que nos últimos dias tem estado na boca do mundo, pela revolta dos estudantes contra a visita do papa, que estava prevista para esta quinta-feira, na abertura oficial do ano lectivo.
Sinceramente, ou era por estar um pouco afastada da cidade universitária - a minha faculdade apesar de não ficar longe está fora da cidade universitária, uma verdadeira cidade dada a dimensão acreditem - não me fui aprecebendo, além do que a imprensa dizia do que se passava. Mas claro, que ontem quando os alunos e alguns docentes do departamento de física ocuparam por algum tempo a reitoria, tentei-me informar melhor!
Pelo que percebi, do lado dos protestante havia dois motivos para a luta contra a ida do homem lá à universidade:
- por um lado, há vinte anos atrás o então cardel Ratzinger veio a esta mesma universidade, e justificou, com argumentos de um teólogo austríaco, a condenação de Galileu, que foi considerado herege ao defender que a terra girava em torno do sol.
A beleza das universidades italianas, é que nas mais importantes, sendo a Sapienza, não a mais antiga (foi fundade em 1303), mas provavelmente a maior e mais prestigiada universidade italiana, em todas há um dos grandes revolucionários da ciência, que a quando da constituição do pensamento cientifico eram investigadores destas instituições ( ex.: Via Panisperna (grupo de físicos que descobriram os neutrões lentos); Maria Montessori (pedagoga); Daniel Bovet (prémio nobel da medicina) entre tantos outros naUniversidade de Roma... O Galileu, não leccionou em Roma, mas em Padova, mesmo assim a sua condenação pelos Estados Vaticanos, juntamente com a tentativa de justificação, não muito bem digerida, de mais esta atitude da igrja contra o desenvolvimento do pensamento racional fez com que o papa, se tornassa uma persona non grata nos espaços da univrsidade!
- há ainda um outro grupo de manifestantes, que simplesmente não faz distinção entre o papa, como chefe da igreja católica e qualquer outro líder de outra religião; simplesmente não admitem que nos espaços da universidade (no qual todos os tipos de pensamento são bem-vindos, menos o religioso) a religião tenha entrada.
Apesar de serem similares nos argumentos, a ideia de base é diversa, nunca ouvi o discurso do então cardeal Ratzinger sobre Galileu, mas aí os manifestantes estão contra a ida dequela pessoa à universidade,e aí, penso que a sua argumentação, apesar de exacerbada tem sentido; agora, ser-se contra a entrada da religião num espaço universitário, está-se a cair em duas falácias: primeiro, é que há formas de conhecimento mais válidas, que outros (ex: religião vs. ciência; senso comum vs. discurso cientifico), são simplesmente formas de conhecimento diversas, que cada um acciona e orienta a sua acção no dia-a-dia conforme entende; e segundo, é que a ciência se faz sem ideologia subjacente, como se o investigador cientifico, vivesse num mundo à parte puro, e se como nem mesmo as escolhas do campo e objecto de estudo, para não dizer outras fases do processo cientifico, não fossem influenciados pelo mundo envolvente, de subjectiuvidades, etc! Contra este sentiemnto purista de fazer ciência, recuso-me simplesmente a aceitar os argumentos!
Nao perderia o meu tempo a ir ouvir o senhor à universidade, da mesma forma, que vivo há 5 meses em Roma e ainda não fui á Praça de São Pedro, num Domingo ou uma Quarta de manhã, ver o senhor! Simplesmente, porque o que ele diz não me interessa ouvir, agora ele tem o direito de falar onde quiser e onde for convidado, quem quiser que o ouça, quem não continua feliz para sempre!
O Vaticano cancelou ontem a visita do papa à universidade, como forma de fazer parar os protestos... só espero, que quando for lá um déspota qualquer, que no seu dito governo democrático atropelou não sei quantos direitos humanos, as portas deste espaço tão puro, tão cientifico e deontológico se fechem com a mesma força!